Contra o velho e atrasado sindicalismo disfarçado de novo

Nós, da Chapa 1, ao longo de todo o período de constituição do ANDES-SN, temos lutado em defesa do salário, da carreira e de condições de trabalho dos/as professores/as federais, estaduais e municipais construindo inúmeras manifestações, paralisações e greves. Formulamos um projeto de carreira única de professor federal, integrando as carreiras EBTT e do Magistério Superior, que também é referência para as instituições estaduais e municipais. Lutamos pela expansão das IES públicas com qualidade, com concurso público no regime preferencialmente DE. Defendemos e lutamos pelas políticas afirmativas na graduação e pós-graduação e pela assistência estudantil para garantir o ingresso, a permanência e conclusão dos/as estudantes das camadas populares. Lutamos pela verdade e justiça com relação aos crimes cometidos pela ditadura empresarial-militar e suas sequelas nos dias de hoje. Posicionamo-nos contra as opressões, o racismo, a misoginia, a lgbtfobia, o assédio moral e sexual, pela legalização do aborto, pelo direito ao uso do nome social e contra o capacitismo. Defendemos todos/as os/as professores/as que atuam no ensino superior e lutamos por condições de trabalho que garantam o tripé de ensino, pesquisa e extensão e em defesa da ciência e tecnologia públicas. Defendemos a autonomia universitária e a liberdade acadêmica e construímos a Frente Nacional em Defesa das IES Públicas.

Consideramos que vivemos um fim de ciclo e que é necessária a reorganização da classe trabalhadora sobre a base da autonomia sindical e de uma ampla unidade. Um ciclo que se esgotou com a falência dos projetos de conciliação de classe em toda a América Latina, com especial repercussão no Brasil. Um projeto que, em nome de conciliar o inconciliável, fortaleceu os laços com o capital internacional, em especial no que tange à privatização e mercantilização das políticas públicas, como educação, saúde, assistência e previdência social.

O que está em jogo nas eleições do ANDES-SN é a avaliação de qual sindicato será capaz de enfrentar as contrarreformas neoliberais e seus impactos sobre o trabalho do docente: um sindicalismo orientado pela estratégia democrático-popular dos governos de conciliação de classes ou um sindicalismo que se pauta pela independência e autonomia frente aos governos e às administrações universitárias?

Lembramos que no ciclo de vida da estratégia de conciliação de classes até o “golpe” predominou a política voltada para a manutenção da ordem e a ocupação do Estado. Este sindicalismo se alimenta do imposto sindical, que financia uma estrutura sindical pelega; integrou-se à gestão dos fundos de pensão, ponto de chegada da “carreira sindical”; mergulhou no pragmatismo político e no “caixa dois” das campanhas eleitorais; reivindicou o FIES e o ProUni para alavancar os negócios dos empresários da educação e o PNE do governo Dilma, que não distingue público de privado na hora de utilizar os recursos públicos.

Neste processo de decadência, a CUT, que tinha ocupado um papel de destaque nas lutas pela democratização, sofreu um processo de “transformismo”, de integração à ordem, ou de aburguesamento da sua direção pela formação de uma aristocracia operária. Começou o processo de apassivamento da classe, de baixar os braços e a cabeça para assegurar a governabilidade a um governo subalterno ao agronegócio, às empreiteiras e aos agentes financeiros, abandonando, assim, a autonomia sindical e o princípio da independência de classe. O ANDES-SN, por sua vez, rompe com a CUT e com o sindicalismo atrelado ao imposto sindical, aos fundos de pensão e ao projeto do governo e do capital.

Foi nesse cenário que setores do governo da época, da CUT e do próprio corpo docente, perpetraram o maior ataque ao nosso sindicato. Decidiram dividir e destruir o ANDES-SN e criaram o PROIFES. Chamaram aos professores/as para abandonar o sindicato e, resguardados no interior da CUT e com o apoio do governo, construir uma organização descaradamente pelega. Uma organização de lobistas que, a partir dos ”contatos” com do sistema político, faziam negociações rebaixadas em nome da categoria sem precisar em momento nenhum realizar mobilizações, paralisações, nem greves. Diziam que tinha chegado a hora da renovação e da modernidade. Nós, da Chapa 1, junto com o ANDES-SN, suas bases, as/os professoras/es resistimos e podemos dizer que fomos vitoriosos. Aquela estratégia de divisão e destruição foi derrotada e muitos dos seus seguidores retornaram ou estão retornando. São muito bem vindos porque na unidade de ação e no debate franco e democrático está a força dos/as trabalhadores/ as!

Neste mesmo período, em que uma parte aderiu ao projeto governista, abrindo mão da autonomia sindical, nós, da Chapa 1, participamos por dentro do ANDES-SN do processo, inconcluso, que levou à criação da CSP-Conlutas. Atuamos decisivamente na construção dos Encontros Nacionais da Educação, protagonizamos a reorganização das lutas dos funcionários públicos federais no FONASEFE e fortalecemos os fóruns estaduais em defesa da educação pública e dos serviços públicos, assim como a organização estadual das universidades estaduais e municipais. Abrimos o caminho de diálogo e debate com centrais sindicais, movimentos sociais e estudantis na perspectiva da realização de um encontro dos/as trabalhadores/as. Construímos com paciência e firmeza uma prática de unidade, alheia ao sectarismo e ao vanguardismo autoproclamatório, práticas com as quais não concordamos e as enfrentamos, ainda quando efetuadas por nossos aliados.

Neste quadro de recuo e apassivamento da classe trabalhadora, entendemos que o afastamento da presidente Dilma foi realizado por intermédio de um golpe. Foi um golpe contra a estratégia democrático popular, quando esta já demonstrava claros sintomas de esgotamento. Golpe perpetrado através de uma manobra parlamentar, midiática e judicial, pelos próprios aliados de ocasião, uma quadrilha corrupta enquistada há décadas no Estado, provocando uma virada para pior, recrudescendo os ataques ao patrimônio nacional, aos direitos dos/as trabalhadores/as e uma onda de conservadorismo na sociedade com renovados cerceamentos à autonomia das IES e à liberdade acadêmica dos/as professores/as.

Neste momento de síntese e avaliação do caminho percorrido pelo movimento docente, não podemos voltar atrás. Somos construtores de um sindicato de luta, classista, autônomo, que atua em defesa das pautas feministas e LGBT, defensor da vida e da causa socioambiental, dos povos originários e tradicionais, dos interesses imediatos e históricos dos/as trabalhadores/as, dos/as docentes e da educação pública, gratuita, laica e de qualidade, da liberdade e democracia, na perspectiva da emancipação humana. Não adianta disfarçar o velho e atrasado como se fosse renovado e moderno. Temos que avançar em unidade e construir na luta um projeto de sociedade inclusivo, democrático e classista.

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